O Cel. parou de falar, como se buscasse em sua mente as imagens daquilo que estava comentando, sem sair dos parâmetros de seus princípios, infelizmente havia deixado escapar, talvez pelo descontrole emocional, mas, no fundo era o que precisava para aliviar a angústia de anos, sempre guardando aquele segredo, consumidor e opressivo.
Olhou-me com olhos brilhantes, seu semblante assustado, afirmava que ele não tinha percebido com que facilidade havia contado aquele fato, como teve a coragem de relatar o ocorrido há mais de trinta anos, sendo que ocultara de seus familiares e até mesmo de seus superiores.
Volta a falar, agora trazendo nos olhos lágrimas de liberdade e nobreza: "Depois daquele dia eu faço minhas orações com os braços abertos em direção a nascente do sol, agradecendo por ter podido vivenciar aquele momento único".
Outra pausa, ele ficou mais agitado, como se o alívio de contar trouxesse outra preocupação, mais difícil de ser esclarecida e que ainda estava em seus arquivos mentais secretos...
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